domingo, 12 de junho de 2011

O Elogio da persistência de um quarto


   Existe uma pitada de esperança por trás daquela nuvem de incerteza, mas tudo bem, ninguém precisa saber.
  
   Um quarto escuro, mobiliado como qualquer outro: uma cama, um armário, um criado-mudo, uma escrivaninha... Roupas amontoadas em uma cadeira, lembranças espalhadas por entre os livros e os cadernos que estam, há muito, esquecidos na mesa de sonhos.
   As fotos no mural estam desbotadas. A ordem em que foram colocadas já não faz mais tanto sentido assim e o último recado que fora colocado continua torto e não fora lido.
   A janela quer ser aberta. O chão, que não fora mais varrido, deseja sentir o calor do sol... Calor do sol.
   Tudo continua em seu devido lugar, do modo que fora deixado no último dia, e ninguém mais entrou ali. Está silencioso, empoeirado e esquecido, mas continua ali. Continua sendo o quarto, continua guardando as memórias... Continua.
   Já o armário... Está vazio. Não há roupas, sapatos e nem as frustrações que, eventualmente, eram guardadas lá. Só há uma caixa, uma caixa de arrependimentos, verdades e cartas que nunca foram lidas. Ninguém encontrou. Ninguém enxergou.
   A nuvem... A nuvem cobre tudo, cobre toda a expectativa. Não tem cor, cheiro, nem mesmo um nome. É indeterminada. No entanto, cobriu o que estava ali... A porta, os desejos, os acontecimentos, a espera. Seja o que convivesse ali, se fora. A porta se perdeu.    





[Fim de sábado, pelas 11 e tantas da noite.] 

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